quinta-feira, março 23, 2006

Bar do Junico

Passei a frequentar outros botecos que não o "Tudo de Bom", meu ex-boteco favorito. Aqui onde eu moro, ou se encontram bares de playboys, ou botecos de bêbados. Fico com a segunda opção.

Conheci Junico, o dono de um humilde estabelecimento, botecão de bêbados velhos e chatos, que tem um videokê, daqueles que só dão nota 95 ou mais ao caboclo que resolve soltar o gogó. Junico é boa pinta, tem bom papo, conquista a freguesia, e acredito que o lugar seja bem frequentado durante o dia.

Junico gosta de falar, e acaba me confidenciando coisas. Contou-me de vezes em que traiu a mulher, no bar mesmo, e de algumas outras aventuras. Dizia que a mulher estava desconfiada e braba. Dividi algumas das minhas histórias bem rapidamente também, durante os dias em que fui lá beber.

Muito bem, conheci Chiquita, mulher de Junico, em uma noite após o trabalho, dentro do boteco. Achei-a uma baianinha muito da gostosa, e até bonitinha. No dia em que a vi, estava com a filhinha, pequenina, e nem nos falamos. Ela parece um pouquinho Betty Boop (!), mas não é feia.

Semana passada, Junico me convidou a estar na espelunca na sexta-feira à noite, pois ia ter música ao vivo, cervejinha e o caramba a quatro. Chegando lá, um homenzinho de seus cinquenta e vários anos, cantava o que estava na boca do povão, desde os forrós e sertanejos mais esculhambados, até um "Do You Wanna Dance" de Johnny Rivers. A galera pirava mesmo quando cantava um tal de "daí eu bebo pra caralho, bebo pra caralho, bebo pra caralho..." Eu sou um cara que tenta ser sempre sociável, e tento encarnar a mente do populacho nestas horas. Deixo a onda me levar. Claro que deve ser estranho um cara de calça jeans, cinto de roqueiro, botas, anéis, colar, uma camisa azul claro, em meio a gente vestida de qualquer jeito. Para os não-entendidos, eu parecia, talvez, um caubói. Nem ligo.

Junico aponta para Chiquita, e diz: "Ô são-paulino, esta é minha mulher, alí no fundo, ó!". Olhei-a com discreção, ela notou que estava sendo apresentada. Não sinalizamos nada. Sentei e comecei a beber,tentando curtir alguma coisa. Após tentar um xaveco em uma garota que descobri ser lésbica, além de estar acompanhada, e em seguida na amiga, sem sucesso, notei dois olhos negros, em uma carinha de bonequinha. Era Chiquita, que me olhava atônita, do balcão. Olhei para o lado, Junico estava na chapa, de costas. Sorri de cantinho, e assim que chegou Junico, nós dois viramos a cara.

Não sei se isso vai pra frente ou não. Eu sou um cachorro, o terror de belas balconistas e afins. Não pretendo pegar Chiquita, mas se der muito mole... a culpa já não é minha, tenho instintos e hormônios!

O pior é que eu ainda fiquei devendo uma cerveja ao Junico, que, apesar do adesivo contra o "Fiado", me fez uma "no Vasco"!

2 comentários:

Ester M. disse...
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Ester M. disse...

Cara, toma cuidado... ou não faz ou faz muito bem feito.
Agora, tem uma coisa, esse comportamento do marido, de trair, esplanar, e depois mostrar a moça... tá me parecendo coisa de voyeur, swinger, algo assim. Pode ser?