Há algumas semanas, comecei minhas aulas de natação, três vezes por semana. Pode ser pouco para uns, mas para mim, chega até a ser demais.
Não posso negar que a sensação de bem-estar após a hora de exercício é fantástica, e que até chega a me dar mais disposição. Porém, vagabundo que sou, já comecei a "matar" algumas aulas em prol do bom e velho boteco, após a labuta estressante...
Filho de mãe crente radical, e de pai ateu conservador, eu só podia mesmo é ser um pau que nasce torto, e até o meu pau é meio torto mesmo... Nunca fui dado aos esportes, brincava no quintal de casa quando criança, mas todo meu incentivo ao desenvolvimento físico e cerebral foi para a cucuia, devido ao pensamento limitado de meus progenitores. Resumindo, o pequeno garoto taureauzinho, lindo, tão lindo, que tinha até cara de menina (segundo o que minha mãe sempre me conta, que as amigas diziam de quando eu era bebê), se desenvolvia para o que não prestava, em segredo. Já era um sacaninha desde os tempos do Ilariê, e sabia que na capa do primeiro LP da Xuxa, dava pra ver os peitos dela. Já leram Casa de Pensão? Eu sou do tipo do personagem principal, Amâncio, só que piorado.
Mas não vamos ficar culpando o passado. Já não sou tão novinho, e meu futuro, agora, sou eu quem faço.
Bem, por quê o boteco é mais legal que a academia? Simples. No boteco, você tem amigos, bebida, música, diversão, mulheres... Na academia, um culto absurdo ao corpo, a mistificação do corpo, gente esnobe, fortões, siliconadas, pessoas iguais a todas as outras, robôs, música eletrônica. Fora que dá uma canseira...
O que eu mais quero é viver bem, não me importa quanto. Talvez nem queira que seja demais, eu iria enjoar. Se eu morrer aos cinquenta, tendo vivido feliz, com dinheiro suficiente pra cachaça, mulheres, boa comida e diversão, acho que vou pensar: "vivi bem a maioria de meus anos, e nem fazia academia!"
Eu gostaria mesmo é de ter sido um dos Rolling Stones! Falando nisso, este foi o único show que prestou ultimamente.
Até mais!
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