quinta-feira, junho 29, 2006

Moonchild

Atormentado por gripes muito fortes desde abril, minha vida se tornou um inferno. Semanas sem poder sair, sempre com dores fortes na garganta, no ouvido, e febre. E sempre que eu estava para melhorar, colocava tudo a perder com o álcool, diminuindo novamente a minha resistência à virose mal curada.

Saí do trabalho à uma da manhã, as ruas estavam frias e desertas. Eu, extremamente febril, trêmulo em meio ao vento, caminhando até minha casa. Questões de diversas espécies permeavam meus pensamentos - cheguei a pensar até num possível castigo divino para os meu atos mais recentes. Besteira.

Em meus fones-de-ouvido, que me protegiam do vento, tocava o King Crimson, o disco "In the Court of the Crimson King" de 1969. Um clássico do rock progressivo.

"21st. Century Schizoid Man", a primeira faixa, me trazia uma má sensação, um mal-estar, desconforto que se somava à minha doença. A segunda faixa, ao contrário, "I Talk to the Wind", confortava o meu coração doentio. Mas foi na quarta faixa ("Moonchild") que senti uma paz muito grande. No início da música, uma melodia estranha e lenta surge, bem suave. Em meio ao silência da rua, conseguia escutar cada detalhe da música, cada nota. Chegava a parte experimental da música, uma mistura de psicodélico com jazz livre. Doces barulhinhos, reconfortantes... Comecei a andar bem devagarinho, apreciando cada nota, sentindo uma paz inexplicável, mesmo estando muito mal, andando pela rua deserta. Eu entrei na música, caminhando sob uma linda lua cheia.