No parque, embarcamos eu e minha filha num encaixe para duas pessoas na roda gigante. Ao adentrar uma das gôndolas, acompanhava uma garotinha de 5 anos uma bela senhora, branca, de traços finos, e calça legging colorida.
Ao fundo, o sol principava um belo entardecer, tingindo o céu limpíssimo de tons avermelhados.
As crianças, em sua espontaneidade, puxam conversa tão naturalmente que, por vezes, acabam "quebrando o gelo" das nossas formalidades de adultos.
E em poucas linhas de conversa entre aquela mãe e este pai, surgiram alguns traços muito claros de afinidade. Lembranças de lugares comuns, de uma mesma época, no mesmo contexto de estarmos ali, numa roda gigante, na mesma gôndola, com crianças do mesmo sexo, a minha alguns anos mais velha.
E então aquela garotinha de 5 anos, na típica impaciência desta nova geração, começava a dar sinais de irritação e choro pela demora da gôndola em descer e finalizar sua volta. De uma forma pouco eficaz, sua mãe sinalizou que tudo acabaria logo.
Num lampejo daquele belo cenário, de duas doces meninas, de um sol esplendoroso e de uma mulher tão encantadora, sem hesitar chamei a atenção daquela garotinha, mostrando-lhe o sol no poente. Perguntei a ela, para dissuadir sua irritação: "quantas cores você vê ali onde está o sol?" E de imediato aquilo lhe prendeu a atenção, e ela começou a mencionar todos os tons avermelhados que via.
E vi um brilho no olhar daquela mãe, e espero não ter interpretado de maneira errada, mas senti uma "comunicação". E minha filha talvez tenha percebido algo, mas na verdade, tudo foi muito sutil, e em instantes o passeio finalizara, e nos despedíamos cordialmente. Ao acaso, minutos depois, eu e minha filha nos deparamos com a menina dançando ao som do parque. Sua mãe, agora junto ao marido, de forma muito natural, espontânea, sorriu e comentou algo. Sorri de volta, cumprimentei o casal, e fui tomado de uma satisfação imensa.
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