terça-feira, abril 25, 2017

El Toro - O Retorno

É com imenso prazer que atualizo este blog, após quase 10 anos de inatividade, contando a partir da última postagem melancólica e estúpida ao mesmo tempo.

Não se pode ser jovem para sempre; fatalmente nossos gostos e estímulos passam a ser um pouco diferentes. Não que eu seja um velho, ainda sou novo e, mesmo que de forma inútil, sexualmente ativo. Manter determinados estilos de vida pode ser bem caro, tanto para o bolso quanto para a saúde física e mental. E o meu não era diferente. Em lugar do dinheiro, surgiram dívidas enormes. Em lugar das múltiplas companhias, a solidão tornou-se rotineira. O trabalho mau remunerado e estressante me fez experimentar os primeiros antidepressivos. Deprimido, sem dinheiro e sem ânimo, o que fazer? Claro, arranjar uma parceira que não seja interesseira, que me ajude a organizar minhas contas, e ao mesmo tempo, que me ame incondicionalmente.

Eis que tudo se deu de acordo com os mais óbvios clichês desta vida, desde a adaptação na cama com a parceira, até o primeiro banal "eu te amo", passando pelo noivado, casamento, e ultimamente, já estamos prestes a ter outro bebê. Uma parceria segura e harmoniosa, capaz de acabar com os mais persistentes ideais e despersonalizar quem se julgava "cheio de atitude".

Nietzsche dizia - sei que há isso em algum livro dele que li antigamente - que quando se amadurece, se acha as ideias da própria juventude aborrecidas. Eu acredito estar neste ponto, e a ponto de achar os ideais dos jovens de hoje tão ridículos e fúteis. Porém, Nietzsche diz também que, a certa altura, já mais maduros ainda, passamos a entender que aqueles nossos ideais da juventude fazem mais sentido do que pensamos. Se um dia eu chegar neste ponto, farei a confissão e provarei a teoria de Nietzsche.

Este blog sempre foi movido por uma força interna muito forte, um ego do tamanho de uma cidade. As constantes obrigações desta vida fazem realmente um homem perder muitas das suas convicções. E quais as minhas convicções hoje em dia? Nenhuma! Sou um sem convicção. Na verdade, quanto mais o tempo passa, mais cético fico de que exista sequer algum estilo de vida ideal ou um tipo de comportamento que seja mais benéfico em termos de civilização. Tornei-me um incrédulo em quase todo tipo de instituição. E as que tentam fazer o bem apenas estão retardando uma possível grande catástrofe.

Viver para se divertir inconsequentemente ou viver com responsabilidade para manter a ordem? "Quem quer manter a ordem? Quem quer criar desordem?" Conhecem essa já, né! Ninguém, nem um, nem outro. Todos são culpados, em maior ou menor grau.

Pode ser triste para alguém ouvir ou ler isto, mas escolhi ser mais uma engrenagem desta grande máquina social. Agora com família e contas a pagar, a escolha mais fácil é abandonar todo tipo de ideal, em prol da "sagrada" convivência familiar. E a família, de fato, exige muito. Vivo para ela e por ela.

Meu raciocínio é lento e confuso, minha percepção e estímulo diminuíram ainda mais nesses poucos anos sem digitar um blog. No entanto, agora tenho algo a dizer, e a minha mente por vezes transborda pensamentos. E este é meu objetivo por aqui, tentar reproduzir partes da minha percepção, mesmo que pela pura tentação de, quem sabe, ser lido ou ter o ego preenchido pelo comentário de algum incauto que resolver ler este blog. Porque, no fundo, publicar um texto de caráter pessoal é ego, e ponto. Outro ponto motivador é exercitar meu desenvolvimento de texto, mesmo sem as nuances psicológicas da escrita manual, que imprimem certa carga emocional, embora só possam ser decodificadas por algum especialista em grafia.

Para os que passarem a me visitar, informo este blog já foi muito ativo no passado, e constituía-se apenas de narrativas referentes às peripécias deste autor. Antigamente chamado "Minha Vida é o Rock'n'Roll", quase tudo que era contado eram vantagens, sempre verdadeiras, porém com uma certa dose de exagero nos detalhes. Era gostoso, e tinha alguns poucos apreciadores que me motivavam a escrever mais e mais insanidades :)

A partir de hoje, podemos esperar de tudo neste espaço, um muro de texto, ou 3 linhas soltas de pensamento. E eu espero poder olhar pra isso e poder um dia entender melhor o que se passava comigo, assim como eu agora entendo melhor o que se passava comigo há 12 anos atrás (as primeiras postagens são de 2005!). Serão dois blogs diferentes em um, esta nova fase talvez uma parte mais lúcida e madura.

Sejam bem vindos, quem quer que chegue, se acaso chegar alguém!

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