Por mais que eu não queira parecer um sujeito egoísta, ou uma pessoa que se coloca no centro de tudo na vida real, este blog me desmascara. É um culto ao meu 'eu', à minha pessoa, e o resto é só figurante.
Vamos à um pouco de psicologia (de um completo leigo no assunto para algum leitor). No mundo real, sou uma pessoa divertida, que não pára de falar bobagens, de fazer besteiras, trocadilhos, paródias imbecís, que na hora causam riso aos presentes, que me integram aos meu colegas, amigos e parentes. Aparentemente não estou nem aí pra nada, creio até ser, por algumas vezes, a imagem de um cara independente e seguro. Isso quer dizer que sou uma pessoa normal, não tão diferente do que aparentam os outros. Sou muito querido por todos, até pelos meus possíveis rivais e inimigos. Aparento ser um astro que gira em torno de um sol, mas junto com todos os outros astros, pois não tenho brilho próprio. Em meu espírito, eu sou o sol, e tudo é astros que giram em volta de mim.
Em minha vida, tento ser apenas mais um astro, girando em torno do sol. Eu já fui mais egocêntrico que nunca, achando que eu era o certo, e o resto, errado, e me machucava demais com a não-aceitação. Mesmo tendo superado muito este egocentrismo adolescente, meu blog é a denúncia explícita de que ele ainda é fortíssimo (não o adolescente, apenas o egocentrismo). Eu sou o personagem principal da minha vida, e fator decisivo dos meus relatos, por mais que eu seja - não reconhecidamente - apenas mais um coadjuvante de uma história maior.
Inclusive agora, escrevendo, eu tenho sempre de checar se estou abusando demais da palavra 'eu'. Já apaguei umas dez ocorrências só neste post! E ainda que os textos sejam sobre algo ruim que me aconteça, uma situação embaraçosa, ou até mesmo vergonhosa, eu pareço nunca estar tão abalado quanto realmente me sintia na hora dos fatos. Não deixo transparecer isto nos textos, acho que é uma coisa instintiva. Sem falar em alguns exageros em certas situações de euforia; mesmo quando o que realmente ocorreu foi só uma leve sensação de bem-estar, tudo se transforma em um grande acontecimento narrativo.
Uma grande questão para minha vida seria esta: algum dia eu satisfarei completamente meu ego? Ou aprenderei a me contentar em ser apenas mais um, igual aos outros?
3 comentários:
Legal o seu blog, continue escrevendo. Viva o Rock!
obrigado, seja bem-vindo(a) e volte sempre!
Eis aí seu blog, brother. Já tinha passado outra vez, e me esquecido do endereço... rs
Cuidado com esse troço de egocentrismo. A gente não vale muita merda não... rs Pra mim a alteridade é um negócio fundamental.
Grande abraço,
Rafael
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